Daisy Jones & The Six - Taylor Jenkins Reid

by - abril 06, 2020



Daisy Jones & The Six é o sétimo livro publicado pela autora Taylor Jenkins Reid, e foi a obra de maior sucesso da autora. Vencedor do prêmio Goodreads Choice Awards em 2019 na categoria de ficção histórica, esse livro também foi um best seller do The New York Times e faz parte do Reese’s Book Club, um clube do livro organizado pela atriz, produtora e empresária, Reese Witherspoon.

Esse livro vai nos apresentar diversas entrevistas com membros da famosa banda dos anos 70, Daisy Jones & The Six. O objetivo dessa entrevistadora misteriosa é descobrir por que a banda encerrou as atividades subitamente no auge de seu sucesso. Vamos saber mais sobre como a banda se formou, a história de cada membro, e todas os momentos vividos durante a criação dos álbuns e dos shows, para tentar compreender melhor o que levou a essa separação tão inesperada.

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Se eu fosse definir esse livro em uma palavra, seria SURREAL. A primeira coisa que precisa ser esclarecida é que essa banda nunca existiu, foi criada pela autora. E isso é muito importante, porque ao longo da leitura você tem plena certeza que essas pessoas já estiveram tocando no radio da sua casa, de tão verossímil que essas personagens são.

Nós vamos acompanhar uma entrevistadora que quer saber mais sobre a banda e seus membros: quais suas histórias, como se conheceram, como chegaram ao auge do sucesso e, principalmente, porque se separaram no ápice de suas carreiras. Por conta disso, a estrutura inteira do livro se dá em forma de entrevista, com relatos pessoais sendo dados por cada membro do grupo e por pessoas que de alguma forma foram importantes na história desses indivíduos. Eu não sei como isso funcionou em um livro físico, pois ouvi esse livro em audiobook, mas em áudio ficou completamente perfeito.

O livro é dividido em momentos históricos do grupo musical, e no início de cada novo capítulo, temos uma contextualização feita pela entrevistadora. Começamos sabendo um pouco mais sobre a história da banda, contada pela própria entrevistadora, e depois vamos conhecer cada personagem. Eles nos contam suas vidas, como descobriram o amor pela música, como se conheceram e muitos outros detalhes. A atmosfera toda do texto é muito semelhante à um desses documentários sobre bandas que assistimos na tv, e acho que essa capacidade da autora de dar tanta vida a um texto, foi uma das coisas que tornou essa experiência tão incrível.

Nós acompanhamos toda a ascensão desse grupo, desde quando eram só dois irmãos que tocavam na garagem de casa e depois passaram a fazer shows em casamentos com cache baixíssimo, até chegarem ao auge de ser uma das bandas mais famosas do mundo, com shows que enchiam estádios inteiros. Ver como esses personagens cresceram ao longo desse processo e se tornaram a família um do outro é algo muito especial.

E os personagens dessa história, são tão reais, mas TÃO REAIS. Eles são muito sinceros sobre suas vidas, suas falhas, sobre como era difícil se manter são e sóbrio no meio musical dos anos 70, onde o lema era basicamente “sexo, drogas e rock’n’roll”. Eles falam muito sobre como a indústria da música é cruel, machista e cheia de jogos de interesse. Mas também mostram como eram apaixonados pelo palco e pela profissão que escolheram.

Todos os personagens têm profundidade e complexidade, cada um com seus medos, sonhos, personalidades. Apesar de termos dois personagens que ganham maior destaque na história, todos dão suas versões dos fatos e contam sua trajetória, o que torna os relatos do livro muito completos, já que temos a situação vista de todos os pontos de vista possíveis.

Essa grande quantidade de pontos de vista também traz uma sensação de desconfiança ao leitor, que é essencial para a construção desse livro. Afinal, se temos várias versões da mesma história, em qual vamos acreditar? E isso é magnífico, pois a experiência nunca vai ser igual para todas as pessoas. Ao longo do livro você vai decidindo quem merece ou não sua confiança, quem você tem mais afinidade, e vai montando a sua própria percepção da história com base nisso.

Nenhum dos personagens é 100% confiável e relacionável, e é isso que os torna tão próximos da realidade. Você dificilmente vai eleger um favorito e apoiá-lo em todas as suas decisões. Mesmo aqueles que você gosta mais, tomam atitudes que você reprova ou não os julga capaz de tomar. Então é inevitável você chegar ao final do livro e não sentir que criou ali uma família, e que vai ficar arrasado quando ela for embora.

O livro aborda muitos assuntos pertinentes, mas tem o seu maior foco em relacionamentos pessoais e na luta contra as drogas. É uma história muito sensível e que trata desses assuntos delicados de forma muito honesta, nua e crua. Sem floreios ou amenizar a situação. O livro chega a ser bem explicito sobre o uso de drogas e suas consequências nas personagens.

O ritmo da história é superfluido e viciante. Como eu comentei, eu ouvi em audiobook, e o dia em que terminei a história eu ouvi o livro por 6h seguidas porque simplesmente não conseguia parar. O final foi avassalador, pois temos um elemento surpresa ali que deixou meu coração em pedaços. Porém, temos uma carta que fecha todo o texto que me deu aquela pontinha de esperança e de luz. Me senti completamente abandonada quando esse livro acabou, e tudo que eu mais queria era poder ouvir as músicas dessa banda que nunca existiu, mas que é como se sempre tivesse feito parte da minha vida.

Essa é uma história muito triste, sincera, real e apaixonante, sobre uma banda que nunca existiu. É um livro que eu recomendo muito para quem ama música e bandas de Rock dos anos 70, ou para pessoas que amam livros com relações pessoais honestas e realistas. Com certeza é um livro que me marcou para sempre, e que vai entrar na lista de favoritos da vida.

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