Daisy Jones & The Six é o sétimo livro publicado pela
autora Taylor Jenkins Reid, e foi a obra de maior sucesso da autora. Vencedor
do prêmio Goodreads Choice Awards em 2019 na categoria de ficção histórica,
esse livro também foi um best seller do The New York Times e faz parte do
Reese’s Book Club, um clube do livro organizado pela atriz, produtora e
empresária, Reese Witherspoon.
Esse livro vai nos apresentar diversas entrevistas com
membros da famosa banda dos anos 70, Daisy Jones & The Six. O objetivo
dessa entrevistadora misteriosa é descobrir por que a banda encerrou as
atividades subitamente no auge de seu sucesso. Vamos saber mais sobre como a
banda se formou, a história de cada membro, e todas os momentos vividos durante
a criação dos álbuns e dos shows, para tentar compreender melhor o que levou a
essa separação tão inesperada.
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Se eu fosse definir esse livro em uma palavra, seria
SURREAL. A primeira coisa que precisa ser esclarecida é que essa banda nunca
existiu, foi criada pela autora. E isso é muito importante, porque ao longo da
leitura você tem plena certeza que essas pessoas já estiveram tocando no radio
da sua casa, de tão verossímil que essas personagens são.
Nós vamos acompanhar uma entrevistadora que quer saber mais
sobre a banda e seus membros: quais suas histórias, como se conheceram, como
chegaram ao auge do sucesso e, principalmente, porque se separaram no ápice de
suas carreiras. Por conta disso, a estrutura inteira do livro se dá em forma de
entrevista, com relatos pessoais sendo dados por cada membro do grupo e por
pessoas que de alguma forma foram importantes na história desses indivíduos. Eu
não sei como isso funcionou em um livro físico, pois ouvi esse livro em
audiobook, mas em áudio ficou completamente perfeito.
O livro é dividido em momentos históricos do grupo musical,
e no início de cada novo capítulo, temos uma contextualização feita pela
entrevistadora. Começamos sabendo um pouco mais sobre a história da banda,
contada pela própria entrevistadora, e depois vamos conhecer cada personagem.
Eles nos contam suas vidas, como descobriram o amor pela música, como se
conheceram e muitos outros detalhes. A atmosfera toda do texto é muito
semelhante à um desses documentários sobre bandas que assistimos na tv, e acho
que essa capacidade da autora de dar tanta vida a um texto, foi uma das coisas
que tornou essa experiência tão incrível.
Nós acompanhamos toda a ascensão desse grupo, desde quando
eram só dois irmãos que tocavam na garagem de casa e depois passaram a fazer
shows em casamentos com cache baixíssimo, até chegarem ao auge de ser uma das
bandas mais famosas do mundo, com shows que enchiam estádios inteiros. Ver como
esses personagens cresceram ao longo desse processo e se tornaram a família um
do outro é algo muito especial.
E os personagens dessa história, são tão reais, mas TÃO
REAIS. Eles são muito sinceros sobre suas vidas, suas falhas, sobre como era
difícil se manter são e sóbrio no meio musical dos anos 70, onde o lema era
basicamente “sexo, drogas e rock’n’roll”. Eles falam muito sobre como a
indústria da música é cruel, machista e cheia de jogos de interesse. Mas também
mostram como eram apaixonados pelo palco e pela profissão que escolheram.
Todos os personagens têm profundidade e complexidade, cada
um com seus medos, sonhos, personalidades. Apesar de termos dois personagens
que ganham maior destaque na história, todos dão suas versões dos fatos e
contam sua trajetória, o que torna os relatos do livro muito completos, já que
temos a situação vista de todos os pontos de vista possíveis.
Essa grande quantidade de pontos de vista também traz uma
sensação de desconfiança ao leitor, que é essencial para a construção desse
livro. Afinal, se temos várias versões da mesma história, em qual vamos
acreditar? E isso é magnífico, pois a experiência nunca vai ser igual para
todas as pessoas. Ao longo do livro você vai decidindo quem merece ou não sua
confiança, quem você tem mais afinidade, e vai montando a sua própria percepção
da história com base nisso.
Nenhum dos personagens é 100% confiável e relacionável, e é
isso que os torna tão próximos da realidade. Você dificilmente vai eleger um
favorito e apoiá-lo em todas as suas decisões. Mesmo aqueles que você gosta
mais, tomam atitudes que você reprova ou não os julga capaz de tomar. Então é
inevitável você chegar ao final do livro e não sentir que criou ali uma
família, e que vai ficar arrasado quando ela for embora.
O livro aborda muitos assuntos pertinentes, mas tem o seu
maior foco em relacionamentos pessoais e na luta contra as drogas. É uma
história muito sensível e que trata desses assuntos delicados de forma muito
honesta, nua e crua. Sem floreios ou amenizar a situação. O livro chega a ser
bem explicito sobre o uso de drogas e suas consequências nas personagens.
O ritmo da história é superfluido e viciante. Como eu
comentei, eu ouvi em audiobook, e o dia em que terminei a história eu ouvi o
livro por 6h seguidas porque simplesmente não conseguia parar. O final foi
avassalador, pois temos um elemento surpresa ali que deixou meu coração em
pedaços. Porém, temos uma carta que fecha todo o texto que me deu aquela
pontinha de esperança e de luz. Me senti completamente abandonada quando esse
livro acabou, e tudo que eu mais queria era poder ouvir as músicas dessa banda
que nunca existiu, mas que é como se sempre tivesse feito parte da minha vida.
Essa é uma história muito triste, sincera, real e apaixonante, sobre uma
banda que nunca existiu. É um livro que eu recomendo muito para quem ama música
e bandas de Rock dos anos 70, ou para pessoas que amam livros com relações
pessoais honestas e realistas. Com certeza é um livro que me marcou para
sempre, e que vai entrar na lista de favoritos da vida.

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