Escrito em algum lugar é um conto feito pelo autor nacional Vitor Martins, conhecido por seus dois livros “Quinze dias” e “Um milhão de finais felizes”. O conto do autor só tem sua versão digital, publicada pela Agência Página 7, e está disponível gratuitamente no catálogo do Kindle Unlimited para os assinantes do serviço.
Esse conto vai nos apresentar a história de Antônio, um garoto de 26 anos que é fã de uma boy band que se separou por anos. Porém, a banda está reunida novamente e eles estão em turnê, com um único show em São Paulo. Antônio decide que não vai perder novamente a oportunidade de ver seus ídolos e passa a madrugada toda na fila para comprar os ingressos. É lá que ele conhece Gustavo, e o tempo de espera acaba ficando muito mais interessante do que Antônio esperava.
Esse conto é a coisa mais fofinha que você vai ler hoje! Um romance super clichê, mas com protagonistas LGBTQIA+, ou seja, é aquele clichê mega necessário. Ele tem só 80 páginas e em duas horinhas você acaba e já está morrendo de saudades dos personagens. Gostei muito de acompanhar a breve história de Antônio e Gustavo, o livro é muito bem-humorado, assim como os outros do autor, e eu gargalhei várias vezes com essa história.
Diferente das outras resenhas, essa eu vou focar mais nas reflexões que tive ao longo da leitura, porque acho que a história já é curta para ser resumida sem spoilers, então vale muito mais a pena você ir ler o livro agora mesmo e voltar aqui para refletir junto comigo!
Eu acho incrível como o Vitor consegue escrever de uma forma que converse tanto com a gente, mesmo com tão poucas páginas. Olhando superficialmente, a história do Antônio não tem nada a ver com a minha, já que nunca fui fã de muitas coisas, mas a proposta de reflexão que a história nos traz, conversou diretamente comigo.
Esse conto vai abordar muito aquela confusão que nós da geração z sentimos durante nossos 20 e tantos anos: o fato de não nos sentirmos adultos em vários momentos da nossa vida. Isso é algo que constantemente me atinge, eu sempre fico naquele meio termo de “velha demais para isso” “nova demais para isso”, e quando olho para tudo que meus pais estavam vivendo quando eram da minha idade, eu chego a pensar que estou “fracassando na vida”.
Eu sei que esse não é um pensamento genuinamente meu, é algo que a sociedade coloca na minha cabeça. Mas nós somos tão bombardeados com comparações com o sucesso dos outros e somos tão levados a pensar em como estamos “perdendo tempo”, que muitas vezes eu esqueço que tenho só 24 anos e toda a minha vida pela frente. É uma senhora de uma paranoia que tenho que enfrentar várias vezes no meu dia-a-dia.
Outro ponto principal do livro é o fato de gostarmos de coisas “que não são de adulto” e como muitas vezes temos vergonha de admitir nossos gostos e vestimos uma máscara para conviver com outras pessoas. Todo esse estigma social de como você deve se portar, se vestir, do que deve gostar para ser respeitado e reconhecido como alguém capaz é tão prejudicial e cria pessoas tão infelizes. Eu sou advogada e vivencio isso diretamente na minha profissão: gente que não me leva a sério por ser mais nova, ou por conta do meu cabelo, minhas tatuagens ou meu jeito de vestir. Imagina se essas pessoas soubessem que coleciono bichos de pelúcia e durmo abraçada com um deles todas as noites.
E grande coisa sabe? Não existe uma caixinha de todas as coisas que adultos podem gostar, somos pessoas únicas e cada pedacinho da nossa personalidade, do nosso estilo e do nosso gosto, formam esse ser humano exclusivo. Não é ter casa própria e assistir o jornal da noite que vai te tornar alguém, é a forma como você pensa, como encara o mundo, como trata as pessoas.
Tá tudo bem gostar da boy band “de adolescente” ou colecionar Barbies no quarto. O que não pode é deixar de acreditar que alguém seja capaz ou mereça seu respeito porque ela não gosta de algo que você considera adequado. Não tenha vergonha de mostrar seus gostos, seus sonhos, seu estilo. Você nunca vai agradar todo mundo, mas vai ser muito mais feliz se for sincero com você mesmo. Não se coloque numa caixinha, não se restrinja, a vida é muito curta para tentar se encaixar. E por ai terão vários Gustavos na sua vida, compartilhando esses amores, respeitando suas escolhas e esperando 15h na fila com você!

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