Sobre ler sucessos antigos

by - agosto 19, 2019



Olá amigos, hoje eu queria falar um pouco sobre a minha experiência de ler livros que foram sucesso há muito tempo. Eu sempre fui leitora, mas durante alguns anos da minha adolescência eu me afastei bastante desse universo, e acabei voltando para o meio da literatura somente em 2015. Isso significa que perdi o lançamento e o hype de muitas histórias que foram marcos da literatura jovem adulta, como por exemplo Jogos Vorazes, Crepúsculo, Divergente, e muitas outras.

Essas histórias se tornaram verdadeiros fenômenos e muitas delas estão inclusive ganhando continuações recentemente. Esses livros são conhecidos por serem pioneiros em algum aspecto, por trazer alguma coisa nova para a literatura jovem. Por conta desse grande sucesso e inovação, essas histórias serviram de inspiração e exemplo para muitos outros livros que vieram depois, e geraram várias “ondas de publicação” de livros que se assemelhavam em gênero ou enredo.

E eu sei que é totalmente uma besteira sem sentido, mas eu me sinto meio “vazia” como leitora por não ter feito parte desses movimentos e por não conhecer vários desses universos literários. Tem alguns momentos que me sinto totalmente de outro planeta por nunca ter lido Jogos Vorazes ou outro título, e frequentemente me pego com vontade de ler essas histórias, mesmo que tardiamente, mas sempre acho que o momento passou e que não vai ter mais o mesmo impacto que teve quando o livro foi lançado sabe?

Durante a maratona 24h que eu e a Gabi do @realizeleitura fizemos eu escolhi começar a ler uma série que foi muito amada e falada na época de seu lançamento, que foi a trilogia da Mara Dyer. Essa foi uma das séries que eu também não acompanhei o hype, e sabia que se tratava de um romance sobrenatural. O máximo de contato que tive com esse gênero foram alguns filmes de crepúsculo e alguns livros da série Mediadora que li com meus 14 anos, portanto o gênero foi algo quase inexplorado para mim.

Eu gostei da história, apesar de achar ela meio cansativa em alguns pontos e fiquei curiosa para continuar a série, mas senti aquela coisinha no meu peito de que o tempo para esse livro passou, pelo menos para mim. Eu reconheço porque a história fez sucesso e o que levou tantas pessoas a amá-la, mas também consegui reconhecer várias coisas que hoje eu acho inaceitável de ler em um livro jovem, como um relacionamento abusivo tão romantizado.

Isso é algo que acontece muito quando leio livros clássicos também, pois me deparo com situações de machismo, homofobia ou racismo que me incomodam muito e me fazem não aproveitar tanto a leitura. Eu compreendo que diversidade e empoderamento não eram assuntos que as pessoas se importavam na época, mas não deixa de me incomodar ver livros que tenham essa situação sem alguma proposta de mudança ao longo da história.

Acho que minha experiência com Mara Dyer fez com que eu deixasse de lado por enquanto essa ideia de ler esses livros jovens que deixei de acompanhar durante a minha adolescência. Acredito que temos um conteúdo novo incrível sendo produzido, super atual e que condiz com nossas lutas e nossas realidades e devemos valorizar e incentivar esse conteúdo, para que eles atinjam os jovens da nova geração como atingiram a nossa e formem novos marcos da literatura jovem adulta.

Admiro muito esses livros que mudaram paradigmas e foram responsáveis por criar uma nova literatura jovem adulta. Eles foram os primeiros passos para esse caminho de desconstrução que estamos trilhando agora e reconheço muito a sua importância. Mas acredito que esses livros já estão muito distantes da minha realidade para serem lidos, e talvez a leitura desses títulos apenas tire um pouco o brilho desse movimento.

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