Olá amigos, hoje eu queria falar um pouco sobre a minha
experiência de ler livros que foram sucesso há muito tempo. Eu sempre fui
leitora, mas durante alguns anos da minha adolescência eu me afastei bastante desse
universo, e acabei voltando para o meio da literatura somente em 2015. Isso
significa que perdi o lançamento e o hype de muitas histórias que foram marcos
da literatura jovem adulta, como por exemplo Jogos Vorazes, Crepúsculo, Divergente,
e muitas outras.
Essas histórias se tornaram verdadeiros fenômenos e muitas
delas estão inclusive ganhando continuações recentemente. Esses livros são
conhecidos por serem pioneiros em algum aspecto, por trazer alguma coisa nova
para a literatura jovem. Por conta desse grande sucesso e inovação, essas
histórias serviram de inspiração e exemplo para muitos outros livros que vieram
depois, e geraram várias “ondas de publicação” de livros que se assemelhavam em
gênero ou enredo.
E eu sei que é totalmente uma besteira sem sentido, mas eu
me sinto meio “vazia” como leitora por não ter feito parte desses movimentos e por
não conhecer vários desses universos literários. Tem alguns momentos que me
sinto totalmente de outro planeta por nunca ter lido Jogos Vorazes ou outro
título, e frequentemente me pego com vontade de ler essas histórias, mesmo que
tardiamente, mas sempre acho que o momento passou e que não vai ter mais o
mesmo impacto que teve quando o livro foi lançado sabe?
Durante a maratona 24h que eu e a Gabi do @realizeleitura
fizemos eu escolhi começar a ler uma série que foi muito amada e falada na época
de seu lançamento, que foi a trilogia da Mara Dyer. Essa foi uma das séries que
eu também não acompanhei o hype, e sabia que se tratava de um romance
sobrenatural. O máximo de contato que tive com esse gênero foram alguns filmes
de crepúsculo e alguns livros da série Mediadora que li com meus 14 anos, portanto
o gênero foi algo quase inexplorado para mim.
Eu gostei da história, apesar de achar ela meio cansativa em
alguns pontos e fiquei curiosa para continuar a série, mas senti aquela
coisinha no meu peito de que o tempo para esse livro passou, pelo menos para
mim. Eu reconheço porque a história fez sucesso e o que levou tantas pessoas a amá-la,
mas também consegui reconhecer várias coisas que hoje eu acho inaceitável de
ler em um livro jovem, como um relacionamento abusivo tão romantizado.
Isso é algo que acontece muito quando leio livros clássicos também,
pois me deparo com situações de machismo, homofobia ou racismo que me incomodam
muito e me fazem não aproveitar tanto a leitura. Eu compreendo que diversidade
e empoderamento não eram assuntos que as pessoas se importavam na época, mas
não deixa de me incomodar ver livros que tenham essa situação sem alguma proposta
de mudança ao longo da história.
Acho que minha experiência com Mara Dyer fez com que eu
deixasse de lado por enquanto essa ideia de ler esses livros jovens que deixei
de acompanhar durante a minha adolescência. Acredito que temos um conteúdo novo
incrível sendo produzido, super atual e que condiz com nossas lutas e nossas
realidades e devemos valorizar e incentivar esse conteúdo, para que eles atinjam
os jovens da nova geração como atingiram a nossa e formem novos marcos da
literatura jovem adulta.
Admiro muito esses livros que mudaram paradigmas e foram
responsáveis por criar uma nova literatura jovem adulta. Eles foram os
primeiros passos para esse caminho de desconstrução que estamos trilhando agora
e reconheço muito a sua importância. Mas acredito que esses livros já estão
muito distantes da minha realidade para serem lidos, e talvez a leitura desses títulos
apenas tire um pouco o brilho desse movimento.

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