Minha experiência com Clube da Luta - Filme x Livro

by - março 20, 2019


Clube da Luta é a obra mais conhecida do autor Chuck Palahniuk, principalmente por conta da adaptação para o cinema que fez o maior sucesso na época em que foi lançada. Segundo algumas explicações do autor, o livro seria do gênero literário Romance, mas várias pessoas o encaixam como ficção científica, sátira literária, entre outros. 

No Brasil, Clube da Luta é publicado pela Editora Leya, que recentemente, em parceria com o grupo Omelete, lançou uma edição de colecionador lindíssima, que além da história completa, possui o roteiro original da adaptação para cinema. Além dessa edição, a edição “clássica”, com o sabonete do filme na capa, está disponível gratuitamente para os assinantes do serviço Kindle Unlimited. 



Clube da Luta vai contar a história de um personagem sem nome que vive uma vida normal e estagnada. Ele sofre de uma insônia gravíssima e busca ajuda médica para conseguir dormir, porém, o médico se recusa a dar a eles remédios para dormir, e sugere que ele busque grupo de apoios de doenças terminais se ele realmente deseja ver o que é sofrimento de verdade. 

Ele passa então a frequentar diversos grupos de apoio e o sofrimento dessas pessoas funciona como um ótimo remédio para dormir. É num desses grupos que ele conhece Marla Singer, uma mulher que, assim como ele, é uma farsa e está apenas usando os grupos de apoio como uma solução para seus problemas. 

Além de Marla, em uma de suas viagens de trabalho ele conhece Tyler Durden, um cara descolado e que vive a vida no limite. Um pequeno incidente faz com que ele acabe se mudando para a casa de Tyler, e desde então sua vida começa a mudar completamente.

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É importante salientar que eu nunca tinha assistido o filme do Clube da Luta, então eu não conhecia os maiores plot twists da história, foi tudo 100% novo e surpreendente para mim. Depois de esclarecer isso, aconselho a quem já assistiu o filme e não é um grande fã, que não perca seu tempo lendo o livro. A graça da leitura é somente a surpresa ao descobrir o maior segredo da história, e se você já vai ler o livro sabendo dessas coisas, você perde a única coisa interessante da história. 

O livro é muito confuso, com frases soltas intercaladas e uma loucura sem fim. Na edição de colecionador o autor esclarece que foi muito inspirado pelo movimento Punk e anarquista, e por conta disso o livro é escrito dessa forma, com os sentimentos jogados pelas páginas e formando a história em uma colcha de retalhos. 



Essa confusão é justificável, pois a história é narrada em primeira pessoa pelo personagem principal, e a insônia crônica faz com que seus pensamentos sejam uma loucura, um misto de realidade e imaginação. Porém, apesar de ser justificável, não torna a leitura menos desagradável de ser feita. 

A maior parte dessa leitura é uma experiência bem estranha. Você lê páginas e páginas e não compreende absolutamente nada, não faz sentido nenhum a atitude dos personagens e você fica o tempo inteiro se questionando “que porcaria é essa que está acontecendo?” e “por que as pessoas seguem cegamente esse cara aleatório?”. 

Aí chega um baita de um plot twist. Mas um baita MESMO. Como eu já disse antes, eu não sabia NADA sobre essa história, então eu realmente fui surpreendida com essa revelação, que é alma da história toda e que muita gente já sabe. E foi essa surpresa que me fez gostar do livro. Depois desse capítulo em específico, a minha visão de muitas coisas da história se esclareceu, e eu fiquei até pensando em voltar e reler a história toda sabendo desse segredo, para ver se faria mais sentido. Depois desse capítulo tudo correu mais claramente e muito mais fluído, e não senti mais que estava perdendo meu tempo lendo algo sem sentido algum. 

Essa é uma história sobre raiva. Raiva do sistema e do mundo capitalista. Raiva das pessoas. Raiva de si próprio. É uma história sobre extravasar essa raiva, e de como o ser humano é tão primitivo e instintivo e ao mesmo tempo tão dependente de coisas que ele mesmo criou. Esse livro questiona nosso estilo de vida de maneira escrachada e irracional. Ele joga violência e insanidade como resposta ao nosso conformismo e a nossa cultura do consumo e da perfeição. 

É um livro interessante de ler, mas nem um pouco agradável ou divertido, não é uma leitura para passar o tempo ou relaxar a cabeça. Como eu disse, se você já sabe sobre o maior plot dessa história, não perca o tempo lendo o livro, a não ser que você seja o maior fã do filme, sua experiência vai ser só a leitura de um emaranhado de frases de efeito e de diálogos sem sentido. 


Nota do livro: ★★★

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Assim que eu terminei essa história, literalmente assim que fechei o livro, eu fui assistir o filme. Para os assinantes do Amazon Prime Video, o filme está disponível no catálogo do serviço de streaming. Ainda não tem na Netflix, mas você também pode alugá-lo pela Google Play Filmes por uma média de R$12,00.

Eu achei o filme uma adaptação excelente. Ele é bem menos confuso e esquisito, e você consegue compreender bem melhor a história e o que está acontecendo. Não acredito que alguém que nunca tenha lido o livro perde alguma coisa por assistir somente o filme, os grandes marcos e plot twists da história também estão presentes na adaptação cinematográfica, e toda a ideia de luta contra o sistema também fica bem clara e presente.

Cabe esclarecer aqui que o final é bem diferente do livro, e eu realmente gostei mais do final do livro. Achei que o final do filme foi bem esquisito e fugiu de todo a trama principal, dando uma cara de "final feliz" para a história que destoou um pouco.

Porém, se for para recomendar um dos dois para você conhecer essa história, eu recomendo que você veja o filme, e deixe esse livro louco para lá. A adaptação para o cinema faz um papel excelente em contar essa história, e a leitura é desnecessária para quem não é extremamente fã.

Nota do filme: ★★★★


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